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Nesse link acima há esta reflexão do responsável pela página, Toninho Kalunga:
DANIEL HIGINO, PRESENTE!
Como devemos nos comportar diante da notícia da morte de uma pessoa amada? O próprio Jesus Cristo, diante da morte de seu amigo Lázaro, não escondeu seus sentimentos: Jesus chorou!
E depois o ressuscitou!
A notícia da morte de alguém que amamos é sempre avassaladora. Sabemos que não teremos mais aquele abraço, aquelas conversas, o aconchego da amizade e a alegria da convivência.
A partida de Daniel Higino, que foi coordenador nacional da Fraternidade Leiga Charles de Foucauld do Brasil, nos deixa atônitos. E nós choramos!
Choramos porque amamos e sentiremos saudade. Aos nossos olhos, havia ainda muito caminho a percorrer, muito a pensar e escrever, muitas lutas, encontros e fraternidade a construir.
É essa partida tão precoce que nos choca e nos faz perguntar: por que tão cedo?
Não precisamos inventar respostas fáceis, nem transformar a vontade de Deus numa explicação simplista para aquilo que não compreendemos.
Se é verdade que a fé não elimina nossas perguntas, também é verdade que ela não nos permite permanecer apenas diante do túmulo.
Por isso, ao recordar este grande irmão — e todas as pessoas que, como Daniel, procuram repetir os passos de Jesus —, somos chamados a transformar a saudade em gratidão e, principalmente, a dor provocada pela morte em certeza da Ressurreição!
Essa é a nossa esperança. Essa é a nossa fé! Daniel está na Terra Sem Males.
Aquela Terra Sem Males que, na espiritualidade e na poesia profética de Dom Pedro Casaldáliga, tornou-se também imagem da esperança dos pobres, dos povos originários e de todos aqueles que caminham na esperança do Reino.
E talvez possamos chamar esse lugar, pensando em Daniel, de sua Nazaré definitiva: a morada onde a fraternidade não termina, os pequenos têm lugar e a morte já não pronuncia a última palavra.
Jesus nos prometeu: “Na casa de meu Pai há muitas moradas.” (Jo 14,2) E disse que iria preparar-nos um lugar, é nessa promessa que confiamos Daniel ao Pai.
O homem que buscou Nazaré durante sua caminhada agora encontra sua morada no Reino que anunciou, esperou e procurou antecipar aqui na Terra por meio da fé, da fraternidade, da justiça e do compromisso com os pequenos.
E aqui encontramos uma ligação profunda com Dom Pedro Casaldáliga, referência tão importante na caminhada de Daniel: a certeza de que o Reino que esperamos também começa a ser construído aqui, quando lutamos para que todos tenham vida e vida em abundância.
Daniel foi teólogo, homem das CEBs, militante dos Direitos Humanos — tendo coordenado o Setorial de Direitos Humanos do PT de Brasília —, militante dos Movimentos Sociais e irmão da Fraternidade Leiga Charles de Foucauld.
Foi também entusiasta de uma Igreja em saída, sinodal e plural, comprometida com a essência do Evangelho. Foi justamente o Evangelho de Jesus Cristo, que animou sua vida e sua alma, que o levou a não separar pensamento e ação, fé e compromisso, contemplação e transformação da realidade. E talvez uma palavra sintetize essa maneira de viver:
Nazaré.
Na espiritualidade de São Charles de Foucauld, Daniel encontrou em Nazaré um caminho de fé vivido no cotidiano, na simplicidade e entre os pequenos; uma espiritualidade que não o afastava do mundo, mas fazia da contemplação alimento para o compromisso com sua transformação.
No último dia 1º de julho, depois de assistir aos meus vídeos sobre Nossa Senhora e o Magnificat, publicados em meu Instagram, Daniel me escreveu. Entre outras coisas, disse:
«“Essa dimensão feminina da fé muitas vezes foi capturada pelos católicos integristas e precisamos recuperar tal reflexão sobre Maria. Excelente iniciativa em nos presentear com este vídeo. Abraço!”»
Guardo com carinho esse último “Abraço!”. Foi nossa última comunicação pessoal. Depois, Daniel foi internado e fez sua passagem para o Reino de Deus.
Neste momento, abraço de maneira muito especial Étel, sua companheira de vida e de caminhada. Étel partilhou com Daniel a vida, os sonhos, a fé, as lutas, as alegrias e os desafios. E, durante sua enfermidade, permaneceu ao seu lado com amor e dedicação.
Sua presença e sua fidelidade foram também Nazaré acontecendo: o amor vivido no cotidiano, que permanece, cuida e não abandona.
Antes de uma de suas últimas cirurgias, Daniel pediu a um amigo que guardasse algumas orientações caso viesse a morrer. Entre elas, deixou esta mensagem:
«“Não desesperem. Este é um momento sagrado da vida, que deve ser acolhido intensamente, assim como foi a vida que vivi também, de forma plena.”
Daniel Higino»
Então, Daniel, não desesperaremos! Haverá saudade e lágrimas, mas haverá, sobretudo, esperança. Porque nós, cristãos, cremos na Ressurreição!
E aqui as palavras de São Paulo aos Coríntios ganham uma força extraordinária. O apóstolo nos fala de um mistério: seremos transformados. O corruptível se revestirá de incorruptibilidade e o mortal, de imortalidade.
E então se cumprirá a palavra:
“A morte foi tragada pela vitória.
Ó morte, onde está a tua vitória?
Ó morte, onde está o teu aguilhão?”
(cf. 1Cor 15,51-58)
Paulo conclui essa passagem com palavras que parecem falar também àqueles que, como Daniel, fizeram da fé compromisso e serviço:
“Permanecei firmes e constantes, sempre dedicados à obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho no Senhor não é em vão.”
(cf. 1Cor 15,58)
É isso, Daniel: não foi em vão!
Não foram em vão sua fé e sua militância; sua defesa dos Direitos Humanos e sua caminhada com as CEBs; sua luta por uma Igreja sinodal, plural e em saída; sua fraternidade e sua busca permanente por Nazaré.
Foram 51 anos. Poucos para nossa vontade, mas plenos, como o próprio Daniel fez questão de nos dizer.
Talvez seja essa uma das respostas que seu testemunho nos deixa: uma vida não se mede apenas pela quantidade dos anos, mas também pela intensidade do amor, da fé, da fraternidade e pelas sementes espalhadas pelo caminho.
A morte não apaga aquilo que foi semeado. Recebemos como herança sua memória, seu testemunho e seu companheirismo.
E, na comunhão dos santos, ganhamos também um irmão intercessor junto de Deus. Obrigado pela caminhada e pelo exemplo, Daniel!
À querida Étel, à família, à Fraternidade Leiga Charles de Foucauld, às CEBs, aos Movimentos Sociais e a todos os companheiros e companheiras de Daniel — de Brasília, do Xingu, do Amapá e daqui de São Paulo —, meu abraço e minhas orações.
DANIEL HIGINO, PRESENTE!
Presente na memória.
Presente na caminhada.
Presente naquilo que semeou.
Presente na comunhão dos santos.
Ó morte, onde está a tua vitória?
Que Maria de Nazaré o acompanhe ao encontro de Jesus, o Irmão Universal.
Amém!
Do seu companheiro de caminhada e irmão na fé.
Toninho Kalunga

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