SEGUINDO JESUS ACOMPANHADO PELO PAPA LEÃO XIV Itinerário de encontros em preparação para a Visita Papal de 2026
MINISTROS ORDENADOS
“Seguindo Jesus acompanhado pelo Papa Leão XIV” é um itinerário que convida pessoas e comunidades a vivenciar a preparação para a Visita Pastoral como um caminho de reflexão, oração e missão, baseado na escuta da Palavra de Deus nas Sagradas Escrituras e no Magistério do Papa.
Esses recursos foram preparados pelas Comissões Episcopais e colaboradores, como material concreto e inspirador, para serem trabalhados em grupo ou individualmente.
Cada encontro segue a “pedagogia de Jesus” no caminho com os discípulos de Emaús (cf. Lc 24,13-35):
1. “O que eles estão dizendo ao longo do caminho?” Nossa vida hoje
2. “Não estavam ardendo os nossos corações quando ele nos falava no caminho e nos explicava as Escrituras?” Ouvimos a Palavra de Deus
3. “‘Fique conosco, pois já é quase noite; o dia está quase terminando.’ Então ele entrou e ficou com eles.” Reflitamos.
4. “Estando à mesa, tomou o pão, deu graças, partiu-o e deu-lho.” Oramos e celebramos.
5. “Eles partiram… e contaram o que havia acontecido.” Nós nos comprometemos e anunciamos.
São oferecidas duas reuniões aos ministros ordenados:
I. “Fixando os olhos em Jesus e guiados pelo Espírito” (Lc 4,14-22)
II. “‘Amar ainda mais’, a ponto de dar a própria vida pelo rebanho” (Jo 21,15-19)
Conferência Episcopal Argentina 1
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COM OS OLHOS FIXOS EM JESUS E GUIADOS PELO ESPÍRITO
1. Nossa vida hoje
O Papa está chegando!
Para começar, vamos abordar dois aspectos:
a) O que significa a visita do Papa Leão XIV para o meu ministério hoje?
b) O que esperamos dela?
2. Nós ouvimos a Palavra de Deus (proclamação do Evangelho)
Jesus voltou para a Galileia no poder do Espírito, e as notícias sobre ele se espalharam por toda a região. Ele ensinava nas sinagogas, e todos o elogiavam. Ele foi para Nazaré, onde havia sido criado, e no sábado entrou na sinagoga, como era seu costume. Levantou-se para ler, e lhe entregaram o livro do profeta Isaías. Abrindo-o, encontrou o lugar onde estava escrito: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para pregar boas-novas aos pobres. Ele me enviou para proclamar liberdade aos presos e recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidos e proclamar o ano da graça do Senhor”. Então, enrolou o livro, devolveu-o ao assistente e sentou-se. Os olhos de todos na sinagoga estavam fixos nele. Ele começou a dizer-lhes: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que vocês acabaram de ouvir”. Todos falavam bem dele e se admiravam das palavras de graça que saíam de seus lábios.
Palavra de Deus: Glória a Ti, Senhor Jesus (Lucas 4:14-22)
3. Reflexionamos
Papa Leão XIV
Quinta-feira Santa – Missa Crismal (2 de abril de 2026)
“Sabemos que ser enviado implica, antes de tudo, um desapego, ou seja, o risco de deixar o que é familiar e seguro para aventurar-se no novo. É interessante que ‘pelo poder do Espírito’ (Lc 4,14), que desceu sobre ele após o batismo no Jordão, Jesus retorne à Galileia e vá ‘para Nazaré, onde fora criado’ (v. 16). Este é o lugar que ele agora deve deixar. Ele se move ‘como de costume’, mas para inaugurar uma nova era. Agora ele deve partir definitivamente daquela cidade, para que
Que aquilo que germinou ali, sábado após sábado, nos fiéis que escutam a Palavra de Deus, amadureça.
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Dessa forma, ele convocará outros a partirem, a correrem riscos, para que nenhum lugar se torne uma cela, nenhuma identidade um covil.
O caminho de Jesus revela-nos que a vontade de se perder, de se esvaziar, não é um fim em si mesma, mas uma condição para o encontro e a intimidade. O amor só é verdadeiro se for desarmado, precisar de poucas coisas, de nenhuma ostentação, e acolher com ternura a fraqueza e a nudez. Temos dificuldade em embarcar numa missão tão exposta, e, no entanto, não há “boa nova para os pobres” (cf. Lc 4,18) se nos aproximarmos deles com sinais de poder, nem há libertação autêntica se não nos libertarmos da possessividade. Aqui tocamos num segundo segredo da missão cristã. Por trás do desapego reside a lei do encontro…
Há também uma terceira dimensão, talvez a mais radical, da missão cristã. Já na violenta reação dos habitantes de Nazaré às palavras de Jesus, a dramática possibilidade de incompreensão e rejeição se torna evidente: “Ao ouvirem isso, todos os que estavam na sinagoga ficaram furiosos. Levantaram-se, expulsaram-no da cidade e o levaram até o topo do monte sobre o qual a cidade estava construída, com a intenção de atirá-lo precipício abaixo” (Lc 4,28-29). Embora a leitura litúrgica tenha omitido essa parte, o que vamos celebrar a partir desta noite nos compromete não a fugir, mas a “atravessar” a provação, como Jesus, que, arrastado pela multidão até a beira do precipício, “passou pelo meio deles e seguiu o seu caminho” (Lc 4,30). A cruz faz parte da missão; o envio torna-se mais amargo e assustador, mas também mais livremente oferecido e revolucionário. A ocupação imperialista do mundo é, assim, interrompida por dentro. A violência que até então era legitimada como lei é desmascarada. O Messias pobre, aprisionado e oprimido mergulha na escuridão da morte, mas, ao fazê-lo, dá origem a uma nova criação.
https://www.vatican.va/content/leo-xiv/es/homilies/2026/documents/20260402-crisma.html
4. Nós oramos e celebramos
Em sua homilia, o Papa propõe três dimensões; abramos nossos corações invocando brevemente o Espírito Santo e partilhámos fraternalmente as seguintes questões:
a) Desapego: De que somos chamados a nos desapegar para cumprir a missão? O que significaria para nós hoje “esvaziar-nos”?
b) Encontro: Como a missão, entendida como encontro, nos desafia enquanto presbitério? O que queremos dizer com “abrir o caminho para o Espírito e segui-lo”?
c) Cruz: Em que situações vivenciamos que “a cruz faz parte da missão”?
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5. Nós nos comprometemos e anunciamos
No último parágrafo de sua homilia, Leão XIV nos disse:
“Queridos irmãos e irmãs, os santos fazem história. Esta é a mensagem do Apocalipse: ‘Graça e paz da parte de Jesus Cristo, a fiel testemunha, o primogênito dentre os mortos e o Rei dos reis da terra’ (Ap 1,4-5). Esta saudação resume a jornada de Jesus em um mundo dilacerado por poderes conflitantes que o devastam. Dentro dele, um novo povo está sendo formado, não de vítimas, mas de testemunhas. Nesta hora sombria da história, Deus escolheu nos enviar para espalhar a fragrância de Cristo onde reina o fedor da morte. Renovemos o nosso ‘sim’ a esta missão, que clama por unidade e traz paz. Sim, aqui estamos! Vençamos os sentimentos de impotência e medo! Anunciamos a tua morte, Senhor, proclamamos a tua ressurreição, enquanto aguardamos a tua vinda.”
O Papa propõe um percurso missionário que começa com o êxodo de nós mesmos através do esvaziamento de si, a fim de alcançar o encontro e a comunhão com os outros; um caminho que acolhe a cruz como um passo rumo à ressurreição.
Que a visita de Leão XIV renove em nós a alegria da missão: a liberdade de sair de nós mesmos, a humildade de encontrar a todos e a coragem de abraçar a cruz, sabendo que o Senhor Ressuscitado sempre nos precede e nos acompanha .
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“AMAR AINDA MAIS” E DAR A VIDA PELO REBANHO 1. Nossa vida hoje
O Papa está chegando!
Para começar, vamos abordar dois aspectos:
a) O que significa a visita do Papa Leão XIV para o nosso povo, para o povo de Deus a quem amamos e servimos todos os dias? O que eles sentem, o que esperam, o que fazem?
b) O que essa visita significa para o meu ministério atual? O que eu penso, o que eu espero dela?
2. Nós ouvimos a Palavra de Deus (proclamação do Evangelho)
“Depois de terem comido, Jesus disse a Simão Pedro: “Simão, filho de João, você me ama mais do que estes?” Ele respondeu: “Sim, Senhor, tu sabes que te amo”. Jesus disse: “Apascenta os meus cordeiros”. Novamente Jesus lhe perguntou: “Simão, filho de João, você me ama?” Ele respondeu: “Sim, Senhor, tu sabes que te amo”. Jesus disse: “Cuida das minhas ovelhas”. Pela terceira vez, Jesus lhe perguntou: “Simão, filho de João, você me ama?” Pedro ficou magoado porque Jesus lhe perguntou pela terceira vez: “Você me ama?” Ele respondeu: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que te amo”. Jesus disse: “Apascenta as minhas ovelhas. Em verdade te digo que, quando eras mais jovem, tu te cingias e ias para onde querias; mas, quando fores velho, estenderás as mãos, e outra pessoa te cingirá e te levará para onde não queres ir”. (Ele disse isso para indicar o tipo de morte com a qual Pedro glorificaria a Deus.) Depois de dizer isso, Jesus lhe disse: “Segue-me”.
Palavra de Deus: Glória a Ti, Senhor Jesus (João 21:15-19)
3. Reflexionamos
Papa Leão XIV
a) O Papa Leão XIV iluminou o início de seu ministério petrino com este diálogo entre Jesus e Pedro. Vejamos um trecho de sua homilia:
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“Ao passar pela margem daquele lago, Jesus chamou Pedro e os primeiros discípulos para serem como Ele, “pescadores de homens”; e agora, após a ressurreição, cabe precisamente a eles levar adiante essa missão: nunca parar de lançar a rede para mergulhar a esperança do Evangelho nas águas do mundo; navegar no mar da vida para que todos possam ser reunidos no abraço de Deus.”
Como Pedro pode realizar essa tarefa? O Evangelho nos diz que isso só é possível porque ele experimentou o amor infinito e incondicional de Deus em sua própria vida, mesmo em momentos de fracasso e negação. Portanto, quando Jesus se dirige a Pedro, o Evangelho usa o verbo grego ágape — que se refere ao amor de Deus por nós, à sua entrega altruísta e incondicional — diferente do verbo usado na resposta de Pedro, que descreve o amor da amizade que compartilhamos uns com os outros.
Quando Jesus pergunta a Pedro: “Simão, filho de João, você me ama?” (João 21:16), ele está se referindo ao amor do Pai. É como se Jesus estivesse dizendo: somente se vocês conhecerem e experimentarem o amor de Deus, que nunca falha, vocês serão capazes de pastorear as minhas ovelhas; somente no amor de Deus Pai vocês serão capazes de amar seus irmãos e irmãs “ainda mais”, isto é, a ponto de oferecer a própria vida por eles.
Pedro, portanto, recebe a missão de “amar ainda mais” e de dar a vida pelo rebanho. O ministério de Pedro é marcado precisamente por esse amor altruísta, porque a Igreja de Roma preside na caridade e sua verdadeira autoridade é a caridade de Cristo. Nunca se trata de aprisionar os outros por meio da submissão, da propaganda religiosa ou dos meios de poder, mas sim, sempre e unicamente, de amar como Jesus amou.
https://www.vatican.va/content/leo-xiv/es/homilies/2025/documents/20250518-inizio-pontificato.html
b) Na recente Carta Apostólica “Uma fidelidade que gera o futuro”, o diálogo entre Jesus e Pedro inspira a renovação diária da fidelidade de cada sacerdote:
“Toda vocação é um dom do Pai que pede para ser fielmente guardado em uma dinâmica de conversão contínua. A obediência à própria vocação se constrói a cada dia por meio da escuta da Palavra de Deus, da celebração dos sacramentos — particularmente o Sacrifício Eucarístico —, da evangelização, da proximidade com os mais necessitados e da fraternidade sacerdotal, tendo a oração como o lugar preeminente do encontro com o Senhor. É como se a cada dia o sacerdote retornasse ao Mar da Galileia — onde Jesus perguntou a Pedro: ‘Tu me amas?’ (Jo 21,15) — para renovar o seu ‘sim’”.
https://press.vatican.va/content/salastampa/es/bollettino/pubblico/2025/12/22/221225c.html
4. Nós oramos e celebramos
Na figura de Pedro, Leão, Bispo de Roma e seu sucessor, quis destacar seu serviço de caridade e unidade para toda a Igreja. A caridade “pastoral”, como participação no amor de Jesus, o Bom Pastor, é a forma de amor que unifica a vida e o ministério de todos os bispos e seus colaboradores, os sacerdotes.
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Nossa conversão pessoal é pastoral: somos chamados a dar a nossa vida pelas ovelhas, como Jesus fez por todos.
À luz desses textos, propomos compartilhar algumas reflexões e orar:
a) O diálogo de Jesus com Pedro implica uma intimidade entre eles que abre a porta para uma missão pastoral. Por amor, e somente por amor, Pedro pode pastorear. Em meio a tantas visões parciais ou distorcidas do ministério petrino e do sacerdócio hoje, como purificamos nossa fé para reconhecer, celebrar e ajudar outros a amar Jesus cuidando dos seus? Como oramos pelo Papa, pelos bispos e sacerdotes, e como falamos sobre eles? Da mesma forma que falamos pelos leigos…? Talvez este encontro inspire em nós uma oração mais afetuosa, mais humilde, mais familiar, mais evangélica, neste rebanho e por seus pastores, que nos inclui.
b) “Segue-me!” é a palavra final e definitiva de Jesus para Pedro. Nesta cena final, ele resume todo o seu relacionamento anterior com Jesus, sua missão pastoral dali em diante e o martírio que sofrerá para glorificar a Deus, assim como Jesus fez. Começando com a figura de Pedro, poderíamos celebrar recordando juntos os nomes, as histórias, os papéis pastorais e os martírios de tantos sacerdotes, papas e bispos, irmãos, pais e mestres que, na Igreja, nos mostraram o amor do Senhor.
5. Nós nos comprometemos e anunciamos
Pastores que cuidam dos que estão aqui e pescadores que buscam todos os que ainda não chegaram... A missão é recebida pela comunidade, mas é voltada para fora, para o "mundo", para todos os mundos: da nossa Galileia cotidiana, conhecida e desafiadora ao mesmo tempo (família, trabalho, paróquia) às transformações sem precedentes da revolução tecnológica.
Se compartilharmos nossas próprias histórias e ouvirmos as dos outros, juntos reconheceremos o mesmo Jesus, Senhor de todos, Pescador de homens, Pastor dos pastores.
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