terça-feira, 7 de outubro de 2025

PÁGINA DE D. EDSON DAMIAN

MENSAGEM DE ANO NOVO - CNBB


“A esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo” (Rm 5,5).


Há poucos dias, celebramos o Natal de nosso Senhor Jesus Cristo. Naquela noite santa, o anjo já o disse aos pastores, e hoje repete a nós: “Não temais! Eu vos anuncio uma grande alegria, que será também a de todo o povo” (Lc 2,10). Por ocasião do encerramento do Ano Jubilar, em nossas dioceses, e praticamente do ano civil, dirigimo-nos ao povo brasileiro com uma mensagem de esperança, mas, ao mesmo tempo, de grave preocupação. Como pastores, exultamos com as vitórias e conquistas e nos inquietamos – e até nos indignamos! – com alguns retrocessos no campo da ética e do cuidado com os pobres.


Neste ano, são várias as notícias que nos fazem felizes e renovam nossas esperanças. No âmbito da saúde, ficamos felizes com o aumento da taxa média de médicos pelo número de habitantes e agradecemos a Deus pelo Sistema Único de Saúde. No campo econômico, alegramo-nos com a retirada de algumas tarifas norte-americanas sobre vários produtos brasileiros, a estabilidade da inflação, a taxa de desemprego em queda, o relativo crescimento do PIB, o significativo aumento do cooperativismo e a abertura de novos mercados internacionais.


Orgulhamo-nos da realização da COP-30, em Belém do Pará, e também nos enleva o fato de o Brasil consolidar sua liderança em energias renováveis. A Igreja se fez presente, não como protagonista político, mas desejosa de contribuir para a construção de caminhos comuns diante da crise climática e o cuidado com a “Casa Comum”. Aumentou significativamente o investimento privado em sustentabilidade, em práticas ambientais, sociais e de governança (ESG). Os movimentos populares se alegram, sobretudo, com a realização do Plebiscito Popular sobre a redução da jornada de trabalho e a taxação proporcional à riqueza.


Constatamos experiências positivas. Contudo, há também várias situações que nos entristecem e preocupam. No âmbito da convivência democrática, o ano de 2025 foi marcado por profundas tensões e retrocessos sociais, que deixaram feridas abertas no tecido social. Algumas experiências fragilizaram seriamente a confiança nas instituições e desafiaram as pessoas de boa vontade, que acreditam numa sociedade mais justa e fraterna. Entre essas, destacam-se: o pagamento exorbitante de juros e amortizações da dívida, que deixa o país sem capacidade de maior investimento em educação, saúde, moradia e segurança; o enfraquecimento da ética e o aumento da corrupção na vida pública; a fragilização dos mecanismos democráticos, por causa de interesses econômicos e disputas de poder; a flexibilização de marcos legais essenciais, como a Lei da Ficha Limpa; o desrespeito pelos povos originários e tradicionais, agravado pela aprovação do Marco Temporal no Congresso Nacional; as ameaças à proteção ambiental, intensificadas pelas mudanças na Lei Geral do Licenciamento; a desigualdade social, que continua marginalizando muitos; o aumento da violência, especialmente o feminicídio e outros crimes motivados pela intolerância; o uso de drogas e o crescimento de “economias ilícitas”; a perda de decoro e a falta de responsabilidade por parte de algumas autoridades, especialmente do nosso Congresso Nacional. Discursos de ódio, manipulação da verdade, violências, radicalismos ideológicos e interesses particulares não podem se sobrepor ao bem comum.


Tais realidades ferem a dignidade humana e obscurecem a vocação democrática do país. O poeta Thiago de Mello traduz esse valor numa bela imagem: “Faz escuro, mas eu canto, porque a manhã vai chegar”. A presença do Deus que se faz criança, simples e próxima, renova nossa convicção de que nenhuma escuridão é definitiva e que a esperança é força transformadora para quem caminha em busca do bem comum. Por isso, reafirmamos que nenhum projeto político pode se sobrepor à vida, ao respeito à pessoa humana, à justiça social e ao cuidado com a casa comum.


Reiteramos a sacralidade da vida humana, desde a concepção até seu fim natural. Ela é o primeiro dos direitos, dom gratuito de Deus, e não pode ser relativizada ou negociada. Por isso, manifestamo-nos firmemente contra qualquer iniciativa de legalização do aborto no Brasil. Defender a vida, contudo, implica também lutar contra a fome, a miséria e a desigualdade. Defender a vida significa criar condições para que “todos tenham vida e vida em abundância” (Jo 10,10).


A democracia, com sua exigência de diálogo, suas instituições, seus freios e contrapesos, é patrimônio do povo brasileiro e precisa de cuidado e promoção. Embora imperfeita, ela é terreno fértil onde a justiça e a verdade podem se abraçar (cf. Sl 85,10) e florescer. Como discípulos e discípulas de Jesus Cristo, somos chamados a ser testemunhas credíveis e exemplares, artesãos da paz, construtores de pontes, promotores da caridade política e da responsabilidade social. A nação precisa reencontrar o caminho da pacificação, do diálogo e do respeito mútuo!


Desejamos e trabalhamos pela paz desarmada e desarmante, humilde e perseverante, por um mundo e por um ser humano pacificados e reconciliados no amor (cf. Ef 2,14), a fim de concretizar o sonho de Jesus Cristo, expresso de modo tão belo por Dom Helder Câmara: “Sem esperança, temos as mãos e os pés amarrados. Somos escravos sem perspectiva de libertação”. Não caminhamos na escuridão; somos peregrinos de esperança!


Que a luz do Menino Deus ilumine nossas famílias, comunidades e nação. Que o Natal acenda em nossos corações a coragem de recomeçar, e que o ano de 2026 nos encontre firmes no testemunho cristão, com o desejo de mudar o mundo, empenhados na oração, nutridos pela Palavra e pela Eucaristia. Que a Mãe Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, nos acompanhe nesta travessia.


Brasília – DF, 29 de dezembro de 2025


Dom Jaime Cardeal Spengler

Arcebispo da Arquidiocese de Porto Alegre – RS

Presidente da CNBB


Dom João Justino de Medeiros Silva

Arcebispo da Arquidiocese de Goiânia – GO

1º Vice-Presidente da CNBB


Dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa

Arcebispo da Arquidiocese de Olinda e Recife – PE

2º Vice-Presidente da CNBB


Dom Ricardo Hoepers

Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Brasília – DF

Secretário-Geral da CNBB

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Pensei que para chegar a Deus era necessário subir, estar acima, acima. E, em vez disso, lendo o Evangelho, descobri que para chegar a Deus eu necessito descer, abaixar, me rebaixar.


Porque todo mistério de Jesus Cristo nada mais é que uma descida contínua: desceu para tornar-se humano, desceu nascendo pobre em Belém, desceu vivendo humildemente em Nazaré e, sobretudo, desceu abraçando o mistério da Cruz!"

São Carlos de Foucauld

Meditando sobre o mistério do Natal, o teólogo luterano Dietrich Bonhoeffer escreveu: "Deus não se envergonha da insignificância do homem, mas entra nela. Deus ama o que está perdido, o que não é considerado, o insignificante, o que é marginalizado, fraco e abatido". Que o Senhor nos conceda a sua mesma condescendência e compaixão, e o seu amor, para que nos tornemos, a cada dia, seus discípulos e testemunhas. 

Desejo-lhe um Feliz Natal! Que o Senhor nos traga a sua luz e dê paz ao mundo!

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Indígenas cercados: ruralistas contra-atacam. Artigo de Gabriel Vilardi


Decidirá, por fim, a Corte de uma vez por todas que o desejo de enriquecimento dos latifundiários não está acima dos direitos fundamentais das comunidades indígenas? Ou seguirão os conchavos e as negociatas espúrias para barrar a vontade do constituinte de 1988 e do povo que apoiou fortemente a Constituição Cidadã? O Brasil, um país multicultural e pluridiverso, formado por 391 povos indígenas, não se curvará ao grito arbitrário e excludente da casa grande.

https://www.ihu.unisinos.br/661209-indigenas-cercados-ruralistas-contra-atacam-artigo-de-gabriel-vilardi

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CARTA AO PAPA ENTREGUE EM 13.10.2025

Aparecida, 11 de outubro de 2025

Querido Papa Leão,

Somos mais de quinhentos presbíteros, bispos e diáconos permanentes diocesanos e religiosos, brasileiros e provenientes de outros países, que formamos um grupo fraterno, pouco formalizado, que busca seguir a Cristo segundo o Evangelho, viver o nosso ministério na Igreja e na sociedade tendo como horizonte o Reino de Deus, colocando-nos preferencialmente a serviço dos pobres e da sua libertação integral. Nosso Coletivo se chama Padres da Caminhada.

Ficamos felizes quando o senhor, eleito Papa, escolheu o nome de Leão, por diversas razões, entre elas a de inspirar seu ministério no do Papa Leão XIII, que, atento aos sofrimentos dos operários, publicou a Rerum novarum, dando início, assim, formalmente, à Doutrina Social da Igreja, que se firmou sobretudo nos pontificados de Pio XI, Pio XII, João XXIII, Paulo VI, João Paulo II, Bento XVI e Francisco.

Foi motivo de esperança para nós seu compromisso de dar continuidade ao projeto pastoral do Papa Francisco, com o qual nos identificamos profundamente, mesmo com as nossas limitações, fraquezas, incoerências e pecados.

Como latino-americanos, sentimo-nos representados também pelo senhor, que, ainda que norte-americano por nascimento, tornou-se latino-americano por sua longa atividade pastoral no Peru, pátria do querido Gustavo Gutierrez, um dos pais da teologia da libertação, que o senhor não só conheceu pessoalmente, mas do qual se tornou admirador e amigo. Temos a certeza de que o senhor acompanhou com vivo interesse as Conferências Gerais do Episcopado Latino-americano, desde Medellín (1968) a Aparecida (2007).

Se a Conferência de Medellín tem um Documento sobre a “Pobreza da Igreja”, Puebla faz uma explícita opção pelos pobres, que Santo Domingo reassume, e Aparecida renova, aprofunda e atualiza diante das antigas e novas pobrezas que ferem a maior parte das nossas populações.

Francisco, o primeiro Papa latino-americano e do Sul Global, testemunhou com vigor, sabedoria e coerência, por palavras e gestos, o amor e a opção da Igreja pelos pobres. Marcantes especialmente a Evangelii gaudium, a Querida Amazônia, a Laudato si’, a Fratelli tutti.

Um dos seus legados mais preciosos é a centralidade do encontro pessoal com Deus em Cristo na força do Espírito Santo. Como canta Agostinho: “Tarde te amei! Tarde demais eu Te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova! Tarde demais eu Te amei! Eis que habitavas dentro de mim e eu te procurava do lado de fora! Eu, disforme, lançava-me sobre as belas formas das tuas criaturas. Estavas comigo, mas eu não estava contigo.” (Santo Agostinho, Confissões 10,27). Como diz Francisco: “Somente graças a este encontro – ou reencontro – com o amor de Deus, que se converte em amizade feliz, é que somos resgatados da nossa consciência isolada e da autorreferencialidade. Chegamos a ser plenamente humanos, quando somos mais do que humanos, quando permitimos a Deus que nos conduza para além de nós mesmos a fim de alcançarmos o nosso ser mais verdadeiro. Aqui está a fonte da ação evangelizadora. Porque, se alguém acolheu este amor que lhe devolve o sentido da vida, como é que pode conter o desejo de o comunicar aos outros?” (Evangelii gaudium 8; cf. 94) A comunhão de Cristo com o Pai dá a Jesus uma ilimitada liberdade de si mesmo, das riquezas e dos outros. Rico de Deus, Jesus é o pobre para os pobres! O discípulo missionário, transformado pela fé e pelo batismo, é chamado a viver livre de si mesmo, livre da riqueza e livre em relação aos outros, tornando-se pobre com os pobres e para os pobres, e, consequentemente, a entregar-se ao serviço do Reino de Deus e dos seus destinatários privilegiados: os pequenos, os pobres, os pecadores.

O senhor, na comemoração litúrgica de São Francisco, o Poverello de Assis, através da Dilexit te, enriquece a mensagem multissecular da Igreja, provoca-a sabiamente a crescer no amor pelos pobres, convoca a humanidade a eliminar da face da terra a pobreza desumana e escandalosa.

Por tudo isso, queremos exprimir-lhe nossa viva gratidão por este documento profético e promissor, que queremos abraçar de coração, difundir em nossas comunidades, entregar ao conjunto da sociedade brasileira, especialmente aos pobres, que devem ser os principais protagonistas da luta contra a pobreza injusta e da construção de uma sociedade segundo o projeto de Deus, que enviou seu Filho ao mundo “para que todos tenham vida e vida em abundância” (Jo 10,10).

Elevamos nossa súplica a Deus para que ele abençoe imensamente sua pessoa e seu ministério a serviço da Igreja e da humanidade, preferencialmente os pobres, sobre cujo serviço seremos julgados quando “o Filho do Homem vier em sua glória, acompanhado de todos os anjos, [e] se assentará em seu trono glorioso. Todas as nações da terra serão reunidas diante dele, e ele separará uns dos outros, assim como o pastor separa dos cabritos as ovelhas.” (Mt 25,31-32).

Que a graça de Deus nos transforme de tal modo que possamos ouvir as palavras misericordiosas do seu Filho: “Vinde, benditos do meu Pai! Tomai posse do Reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era migrante, e me acolhestes; estava nu, e me vestistes; enfermo e me visitastes; preso, e fostes ver-me... Sempre que o fizestes a um destes pequeninos irmãos, a mim o fizestes” (Mt 25, 34-36.40).

Querido Papa Leão, dê-nos a sua bênção.



Padres da Caminhada

Aparecida, Brasil

Véspera da Solenidade de Nossa Senhora Aparecida

Memória de São João XXIII

63º aniversário da Abertura do Concílio Ecumênico Vaticano II
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A ESTUPIDEZ É MAIS PERIGOSA QUE A 
PRÓPRIA MALDADE. VEJA O VÍDEO!




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🚩 SEBASTIÃO SALGADO CELEBRA A VITÓRIA DA INDEPENDENTE DE BOA VISTA E RESSALTA A IMPORTÂNCIA DO MST

📸  O fotógrafo documental e fotojornalista brasileiro Sebastião Salgado celebra a vitória da Escola de Samba Independente de Boa Vista e destaca a importância de retratar o MST e sua luta para o mundo, na defesa da Reforma Agrária e das causas sociais.

🏆 Ontem (26), a escola foi campeã do grupo especial do Carnaval de Vitória (ES) com o samba-enredo “Os Olhos do Mundo - Assombros de Sebastião Salgado”. Em uma das 19 alas, intitulada "Terra", foi enfatizada a conexão entre Sebastião Salgado e o Movimento Sem Terra. A ala, composta por 40 militantes capixabas, representou a luta pela Reforma Agrária, inspirada na exposição "Terra", cujas imagens foram doadas pelo fotógrafo para a construção da Escola Nacional Florestan Fernandes.

#CarnavalDeLuta #MST #TodosPelaReformaAgrária #SebastiãoSalgado

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SEM ANISTIA PARA GOLPISTAS

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ENCONTRO DOS BISPOS DO REGIONAL NORTE 1


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Em Coari, AM, os bispos de Roraima e do Amazonas estamos iniciando o encontro que irá até quinta-feira (6.2.25) pela tarde (post. 4.2.25)




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Os dois Bispos mais jovens do regional Noite 1 da CNBB - Roraima e Amazonas


Dom Vanthuy, bispo de São Gabriel da Cachoeira (à esquerda) e Dom Hudson, bispo Auxiliar de Manaus. Festejando o primeiro aniversário de ordenação episcopal.

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Dom Vanthuy ao lado de Dom Leonardo, Cardeal de Manaus


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Com Dom Marcos, bispo de Coari, onde estamos reunidos.




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