segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

T. PHILPOT- 2- COMO A FRAT. FUNCIONA

A Fraternidade, muitas vezes, começa assim; um grupo de cinco ou seis padres, que tem afinidades uns com os outros, resolvem encontrar-se uma vez por mês. Isto, para se ajudarem
mutuamente e não ficarem isolados. Mas há algo a mais: eles desejam viver o Evangelho com maior intensidade e terem uma fé mais forte, rezarem mais, ou terem uma vida de oração mais regular e desejam ainda manifestar mais o amor de deus no seu ministério, serem humildes e mansos de coração como Jesus, sem desejarem aparecer ou receberem privilégios.
Ficando sozinho é mais difícil realizar um projeto de vida. Sendo membro de um grupo que tem o mesmo ideal é mais fácil, porque dá para contar com o apoio dos outros e cada qual oferece e a sua contribuição. Um membro da Fraternidade “Jesus Cáritas”, do Chile, dizia: “É muito valioso ser autorizado a tomar a vida de um irmão nosso nas mãos”!
Em cada encontro há uma hora de adoração silenciosa. Nossa fé em Jesus ressuscitado, presente na Eucaristia, nos move. Às vezes temos a celebração da missa. Alguns encontros acontecem durante o dia todo, outros são mais breves; às vezes se começa na véspera, com o jantar tomado em comum, e vai até o dia seguinte. Há um momento para o estudo e a partilha da Palavra de Deus , luz para nossas vidas.
Em cada encontro há também um espaço para a “revisão de vida”. Cada um procura olhar o mês que passou, desde a última reunião, com o olhar de Deus e partilhar o que descobriu. Não se trata de uma “confissão pública”. Cada um prepara a sua revisão de vida, na tranquilidade, no dia de deserto (dia de retiro pessoal), para descobrir a ação do Espírito Santo no dia a dia de sua vida. É importante ficar atento àquilo que os outros narram. É um privilégio raro poder colocar inquietações ou perplexidades, sem temer o julgamento de ninguém, e receber conselhos de irmãos que nos querem bem e estão dispostos a dar-nos o suporte de suas orações. O conselho dado num clima de oração e de confiança vivido por um grupo de fraternidade, onde a confiança e a abertura crescem entre os membros, vale como direção espiritual.
Um dos padres convoca as reuniões, sendo chamado “o responsável”. De vez em quando ele participa de uma reunião a nível regional ou nacional, onde encontra outros responsáveis. Pode haver também encontros a nível continental. A cada seis anos uma Assembleia Geral, a nível mundial, é convocada pelo responsável geral e a equipe dele, eleitos para mandato de seis anos, como é também o caso do responsável regional. O responsável geral e os seus auxiliares viajam bastante, visitando as equipes das regiões para encorajar os membros. Isso deve ser visto como um serviço, e nunca como uma dominação.
O encontro mensal das fraternidades locais é discreto e não é divulgado pelas redes sociais e pelos meios de comunicação. Para quem pertence à fraternidade local, o encontro não tem preço... Anos atrás, um bispo latino-americano, tendo que percorrer uns novecentos quilômetros para participar da reunião de sua fraternidade, confidenciava: “ Eu posso faltar a outro tipo de encontro, mas à reunião de minha fraternidade eu não quero faltar nunca”!

TONY PHILPOT, INTRODUÇÃO AO DIRETÓRIO DE 2012